Como nossa maneira de ver a doença influencia os sintomas e o moral das pessoas com doenças inflamatórias crônicas intestinais
As crenças profundas sobre a doença e o corpo desempenham um papel maior na forma como as pessoas vivem com uma doença inflamatória crônica intestinal. Uma pesquisa recente revela que metade dos pacientes considera sua condição como gerenciável. No entanto, quase um terço a percebe como uma catástrofe. Essas visões opostas têm consequências diretas em sua saúde física e mental.
As doenças inflamatórias crônicas intestinais, como a doença de Crohn ou a retocolite ulcerativa, são caracterizadas por dores abdominais, diarreia e fadiga persistente. Esses distúrbios estão relacionados à inflamação do sistema digestivo, mas também a uma interação complexa entre o intestino e o cérebro. O estresse e as emoções podem agravar os sintomas, assim como os sintomas podem influenciar o estado psicológico.
Os pesquisadores observaram que os pacientes que veem sua doença como uma catástrofe ou seu corpo como um inimigo relatam sofrer de mais sintomas. Eles também sentem mais ansiedade específica em relação ao seu estado digestivo e depressão. Por outro lado, aqueles que consideram sua doença controlável ou seu corpo reativo apresentam menos sinais de angústia. Essas crenças, chamadas de “mindsets”, não refletem a realidade médica, mas moldam a maneira como cada um interpreta e vive sua doença.
O estudo mostra que quase 40% dos pacientes acreditam que seu corpo reage de maneira adequada, enquanto uma proporção semelhante o considera um adversário. Essa divisão destaca uma particularidade dessas doenças: a fronteira entre uma percepção positiva ou negativa do corpo é tênue. Uma crise digestiva pode ser interpretada como um fracasso ou como uma reação natural a um desequilíbrio. Dependendo da interpretação, o estresse resultante pode agravar os sintomas ou favorecer estratégias de adaptação mais eficazes.
Os resultados sugerem que ajudar os pacientes a modificar essas crenças poderia melhorar sua qualidade de vida. Intervenções breves que visam substituir uma visão hostil por uma abordagem mais benevolente poderiam reduzir a ansiedade e a frequência das crises inflamatórias. A ligação estreita entre o intestino e o cérebro torna essa abordagem particularmente promissora.
De fato, o sistema digestivo e o cérebro se comunicam constantemente. Os sinais enviados por um influenciam o outro, criando um círculo onde pensamentos e sintomas se alimentam mutuamente. Uma intervenção que vise essas crenças poderia, portanto, agir tanto no plano psicológico quanto no fisiológico.
Essa pesquisa abre caminho para novos cuidados. Em vez de se concentrar apenas nos tratamentos médicos, integrar um acompanhamento psicológico para ajustar essas percepções poderia oferecer um alívio adicional. O desafio é de grande importância, pois o número de pessoas afetadas por essas doenças não para de aumentar no mundo.
Sources du média
Document de référence
DOI : https://doi.org/10.1007/s12529-026-10449-3
Titre : The Prevalence of Patient Mindsets in Inflammatory Bowel Disease and Relationship with Physical and Psychological Outcomes
Revue : International Journal of Behavioral Medicine
Éditeur : Springer Science and Business Media LLC
Auteurs : Kate MacKrill